EMDR

                  
              Eye Movement Desensitization and Reprocessing  - EMDR -
                     DESSENSIBILIZAÇÃO  E REPROGRAMAÇÃO POR 
                                          MOVIMENTO DOS OLHOS.

                                       

             UMA  NOVA TÉCNICA PARA RESOLVER O STRESS PÓS TRAUMÁTICO.

       
         Uma conhecida frase popular diz que os olhos são as janelas da alma.   
       Hoje os terapeutas penetram por essas janelas para curar as feridas da alma. 
       Feridas produzidas por situações traumáticas, são tratadas com eficiência por
       meio dessa nova estratégia terapêutica. Os olhos curam o que o coração sente.
       Veja  como isso funciona.
          
          Alguns anos atrás, em 1987, uma psicóloga americana, chamada Francine Shapiro,
           passeava tristonha entre as árvores de um parque na Califórnia, procurando tirar da
           sua cabeça  as tristes lembranças negativas que a atormentavam,  começou olhar
           de um lado para o outro enquanto pensava, e percebeu que suas lembranças
            negativas iam perdendo força. Ela então deduziu, que aquele movimento dos olhos,
           de um lado para outro, aliviava a tensão. Ela testou isso com alguns pacientes seus, e
            confirmou que isso funcionava.
           Isto me lembra outro fato histórico: a descoberta do hipnotismo. Em 1842 o médico
           inglês, J. Braid,  assistiu uma demonstração de mesmerismo, realizada pelo francês
            Lafontaine. Braid observou que Lafontaine pedia à seus pacientes que olhassem nos
            seus olhos fixamente, enquanto lhes sugeria um  estado de calma, semelhante ao
            sono. Ao retornar à sua casa, Braid repetiu essa experiência com um paciente seu,
            solicitando-lhe que olhasse um objeto brilhante, após alguns minutos seu paciente
            reproduzia aquele mesmo estado induzido por Lafontaine. Braid deduziu que a
            fixação do olhar  era a responsável pelo estado induzido, e rebatizou esse estado
            com o nome de hipnotismo.
           Ambos, Shapiro e Braid, atribuíram aos olhos a responsabilidade de modificar o
           estado mental dos seus pacientes. Ambos estavam errados. O fixar os olhos ou
            move-los, só polariza a atenção do pacientes. O mesmo poderia ser: prestar
            atenção no peso da mão, no ritmo da respiração, na formação da saliva na boca ou
            qualquer outra resposta. Bastaríamos observar um simples detalhe, para descartar a
            responsabilidade dos olhos no processo de indução:  os cegos também respondem
            positivamente aos procedimentos hipnóticos. 
            Hoje sabemos que a polarização da atenção e a comunicação de idéias (sugestão
            ou auto-sugestão), são os mecanismo básico de indução da hipnose.
           Como é que isso funciona?
           Vejamos o que nos revelam algumas pesquisas, sobre a fisiologia cerebral dos
           estados emocionais intensificados (hipnose, sonhar, ansiedade, pânico, fobias etc.).
           No começo do século XX, um fisiologista russo Ivan Petrovich Pavlov, constatou
           que todos os seres vivos respondiam ao condicionamento reflexo. Ele diz que toda
           conduta  se ajustava a esse mecanismo, desde um ser unicelular, como a ameba, até
           ao homem, com toda a sua complexidade de comportamentos. 
           Toda a atividade nervosa superior, afirma Pavlov, é regida pelo mesmo mecanismo:
           a associação de sinais, sinalizando a atividade biológica (condicionamento). 
          Assim também, todo o nosso organismo funciona em base desse mecanismo,
          segundo Bycov.  Embora este seja um modelo mecanicista-reducionista ele é muito
          útil para entendermos o comportamento adaptativo dos seres vivos.
          Já dizia Aristóteles, que nada existe na mente que não houvesse passado antes
          pelos sentidos.
          Hoje conhecemos um pouco mais das redes neuronais, das funções dos núcleos
          cerebrais, da bioquímica que participa das emoções e da complexidade do
          comportamento humano.
          Vejamos o que nos dizem as pesquisas atuais à respeito do EMDR.
          Mas, antes devemos  fundamentar certos achados, vejamos. 

     

          
          
 É de consenso, que  temos funções diferenciadas para cada lado do nosso
           cérebro. 
           Sendo o lado esquerdo responsável pela linguagem, o pensamento
           linear, lógico e espacial. 
           Enquanto o lado direito é responsável pelo pensamento conceitual, digital, intuitivo e
          criativo. 
          Isto tem sido confirmado pelas pesquisas da neurociência  e pelas cirurgias de
          separação dos hemisférios cerebrais (comissurotomia).

            (Um apanhado geral sobre as funções dos hemisférios cerebrais podemos
             encontrar em Spriger & Deutsch, "Cérebro Esquerdo, Cérebro Direito".
            Summus Editora).

           
           Todos sabemos que o lado esquerdo do cérebro controla o lado direito do
           corpo, e  o lado direito do cérebro controla o lado esquerdo do corpo. Mas
           uma das coisas que pouco sabíamos, é que podemos estimular os diferentes lados 
          do cérebro  por meio de freqüências  levemente diferenciadas, por exemplo o som
          da sílaba <bá> e da sílaba <gá>, estimula o cérebro de modo diferente, segundo
          o ouvido que ouve, seja o direito ou o esquerdo de acordo com a pesquisa de   
           Kimura. 
          O mesmo podemos estimular, de forma diferente, se usarmos freqüência com
           diferença de alguns ciclos por segundos, como acontecem com os equipamento
           "Megabrain" na freqüência binaural. 
          Sabe-se que a comunicação entre os dois hemisférios se realiza por intermédio do
          corpo caloso que liga os dos hemisférios por meio de 200 milhões de fibras
           nervosas.  Pesquisas recente,demonstraram que essas fibras se formam com a
           estimulação realizada na idade certa de cada pessoa, variando de pessoa para
           pessoa.
          Mas o que desconcertou os pesquisadores é a capacidade do cérebro em se
           readaptar  às condições funcionais, substituído as áreas cerebrais, passando a
           usar as áreas do hemisfério direito para a linguajem, e as áreas da visão,  área
           occipital,  para o tato em caso de cegueira.  
           A estimulação de luz e som sobre o cérebro tem um surpreendente efeito
            terapêutico, como nos demonstram as técnicas do biofeedback.
           Guilliarosky,  já havia demonstrado como os estímulos elétricos ritmados  podem
            influenciar os padrões das ondas cerebrais, até mesmo em coelhos e gatos (El
           Electrosueño. Moscou).       
 
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